Primeiro post ;D

Gente, então, esse é o primeiro post das conversas de ônibus/metrô…

Vinha eu da escola, cansada e desolada dessa vida vulgar, sentei-me no banco pixado do ônibus com algo do tipo ” nois e zica”, um português maravilhoso, diga-se de passagem.

Uma moça de uns 23 anos estava com um garotinho que aparentava ter uns 7 anos sentados no banco em frente ao meu.

Parecia ser a mãe do menino, mas ela era muito branca,o menino era mais negro, uma graça de criança. Ela veio logo perguntando:

-Menino, tem lição hoje?

-Não. – respondeu o menino com uma sinceridade para mim, mas com ar de mentira para a moça.

-Você nunca tem lição é?

-Não.

-Olha que eu não gosto de criança mentirosa! Eu gosto de dar castigo para criança mentirosa!

O menino ficava olhando para fora do ônibus, esperando que algo chegasse.

Eu tive de me controlar muito para não falar umas boas verdades para aquela mulher.

-Então pode deixar que eu vou dar lição para você.

-Mas você não é professora.

-Não sou é? Pode perguntar para a Margarida, pergunta lá seu eu não sou professora! Eu fiz curso tá?

-O tio Marcos não mandou eu fazer lição ontem…

-Ontem foi ontem, já foi, hoje é hoje. Não tem nada haver com ontem (que mulher mais insensata… O que seria do hoje se o ontem não existisse?) e eu não sou o tio Marcos.

O menino respondia com uns gemidinhos que eu pude perceber como algo querendo dizer “você é quem sabe..”

Mas não contente com essa conversa de opressão ao menininho, ela veio com mais perguntas…

-Cadê sua mãe?

-Tá trabalhando.

-E o seu pai?

-Morreu.

-Morreu é?

-Aham.

-Morreu de que?

-Facada.

-Ele morreu de facada? – risos estranhos – Como foi isso?

-Meu pai tava em casa e veio um ladrão que esfaqueou meu pai.

Não me lembro direito o resto da conversa,mas eu sei que eles saíram antes de mim, eu fiquei com uma dor no peito pelo garotinho ter de viver aquela realidade.

Não sei se o menino falou a verdade, mas me pareceu que na cabeça dele, era a mais pura verdade.

Ah, mais uma coisa, a mulher referia-se ao menino por “menino” ou “moleque”, a única vez que a ouvi dizer o nome dele, foi quando chamou-o para ir até a porta:

-Vem Vinícius.

Beijos queridos leitores ;*

!!!!

Que tal histórias verídicas?

Hm…

Interessante não?

Eu acho!

E fico abismada com algumas!

A partir daqui, irei reparar melhor nas conversas e irei relatar aqui para vocês!

Beijos leitores, boa noite =*