Belo mio

Fiquei demasiadamente contente nesta tarde. Por um motivo muito simples, meu coração sorriu. Algo simples para você, mas complexo para mim.

Ele não me disse “eu te amo”, não piscou, não tocou em minhas mãos, nem ao menos, me beijou. Ele sorriu com os olhos. Um sorriso tímido, que quase não pude distinguir, tímido como ele.

Foi um sorriso que duvidei, mas o coração acreditou, mesmo sendo possível esse riso poder ser de uma piada que o caro amigo contou.

O fato é: ele sorriu em minha direção com os olhos nos meus, que mesmo com miopia e sem meus óculos, pude perceber ligeira inclinação para meu lado. Certifiquei-me até, se havia outra pessoa atrás de mim. Não havia, por isso fiquei contente.

Fiquei contente por ter me atrasado, tinha esquecido minha fita de cetim azul, que uso para amarrar meu cabelo, em cima da cômoda de carvalho, em frente à cama. Precisei voltar para pegá-la, assim, atrasei-me para pegar o trem e consegui vê-lo chegar para embarcar… Dia de sorte o meu.

Sim, ele embarcava no mesmo sentido que eu, mas eu tinha problemas a resolver, precisava ficar. Além do que, esse momento mágico iria ficar passeando pela minha mente durante um bom tempo. Creio que se prolongasse aquela situação, talvez não tivesse o mesmo significado.

Belo mio, porque não me diz “Benvenuti nel mio cuore”?Por uma questão muito óbvia, não é, Belo?

Sim, nunca lhe revelei esse meu desejo de você. Nunca lhe escrevi uma carta, ou sibilei alguma palavra que expressasse essa coisa que domina o peito, toda vez que sinto seu perfume pairando sob o ar seco da primavera deste ano.

Reparou Belo?A primavera está mais seca do que de costume, e mais quente. Até que estou gostando, sua voz está mais rouca. Aliás, suponho que esteja, pois além de duas palavras “de nada”, nada mais saiu dela em direção a mim.

O tempo passa, a todo instante. A vida é feita de instantes. A cada instante, pego-me pensando nele.

O caso está mais grave do que imaginei, minha vida está sendo feita dele, de todos esses sorrisos enigmáticos, de olhadas de rabo de olho, de perguntas sem respostas, querendo saber quem é essa moça a quem o observa.

Então, pergunto-me…

Quem é essa moça que te observa amore mio?

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Artigos do sentimento.

O beijo roubado nos meus sonhos

O olhar desapercebido pela cortina de cabelos

A palavra com entonação diferente do normal

Os risos bobos que saem da boca…

Assim como a alegria que sai de nós e entra no outro

O motivo mais bobo para nos falarmos

O medo de estarmos entendendo tudo errado

A vergonha de sentir que não sabe o que sente

O olhar pela janela procurando o outro

As mentiras que inventamos para nos convencermos do contrário

Que não estamos apaixonados.

Os desenhos na janela embaçada

A música que passa pela cabeça o tempo todo

A hora de dormir, rezar para sonhar o que não posso

O distância mínima abismo que separa tudo

As mãos geladas, só para ter a desculpa de aquecê-las para mim

A tristeza que bate, por ficarmos nos remoendo de perguntas para adivinhar a charada

A charada que talvez não tenha resposta

A pergunta que sempre é feita mas ignorada, por não ter importância agora

O toque bobo

Os planos sem objetivos,mas mesmo assim planejados aos mínimos detalhes

O nó na garganta que o ódio pelo tempo passar causa

A dor de que tudo possa ser em vão, que não dure

Que não termine

Que não comece

Que isso tudo não tenha um meio, para que não haja um fim

Que não haja um meio, para que o começo seja indefinido

Para que tudo isso possa parecer real.

Tenho que parar com isso

Tenho que parar com isso. Estou me acabando. Estou definhando o quão lentamente é possível. Já esqueci como é me cuidar de verdade, não ligo para as colocações pronominais de forma errônea que ponho.

Tenho que parar de achar que o mundo sempre deve girar ao meu favor, e girar contra mim. Ele apenas gira…
Gira, gira, gira, e sempre girará
“o tempo perguntou pro tempo, quanto tempo o tempo tem, eles respondeu que o tempo tem o tempo que o tempo tem”.

As coisas fluem quando menos se espera que elas fluam, é quando você já não tem mais ar para respirar dentro da caverna que se enche de água e rodeia seu corpo, deixado-o com frio, enrugado e desesperado. É quando as coisas fluem.

Não adianta você ficar procurando por uma fresta da caverna para respirar, ela está totalmente fechada. A água da caverna se esvair quando seu último suspiro mergulha dentro d’água, quando você descobre que não havia água alguma, ou caverna. Frutos da sua imaginação, que se afogavam pelas situações que pressionavam sua mente.

Boa noite, queridos leitores

Beijos =*

Aaaaaaaaaaaah, não gosto de ficar confusa.

Ah, nada não. Só queria falar isso mesmo.
Beijos, queridos leitores ;*

ps: Já estou fazendo o próximo post.. Perdoem-me, estou com tempo corrido pra escrever, mas logo logo escrevo ;]

Primeiro post ;D

Gente, então, esse é o primeiro post das conversas de ônibus/metrô…

Vinha eu da escola, cansada e desolada dessa vida vulgar, sentei-me no banco pixado do ônibus com algo do tipo ” nois e zica”, um português maravilhoso, diga-se de passagem.

Uma moça de uns 23 anos estava com um garotinho que aparentava ter uns 7 anos sentados no banco em frente ao meu.

Parecia ser a mãe do menino, mas ela era muito branca,o menino era mais negro, uma graça de criança. Ela veio logo perguntando:

-Menino, tem lição hoje?

-Não. – respondeu o menino com uma sinceridade para mim, mas com ar de mentira para a moça.

-Você nunca tem lição é?

-Não.

-Olha que eu não gosto de criança mentirosa! Eu gosto de dar castigo para criança mentirosa!

O menino ficava olhando para fora do ônibus, esperando que algo chegasse.

Eu tive de me controlar muito para não falar umas boas verdades para aquela mulher.

-Então pode deixar que eu vou dar lição para você.

-Mas você não é professora.

-Não sou é? Pode perguntar para a Margarida, pergunta lá seu eu não sou professora! Eu fiz curso tá?

-O tio Marcos não mandou eu fazer lição ontem…

-Ontem foi ontem, já foi, hoje é hoje. Não tem nada haver com ontem (que mulher mais insensata… O que seria do hoje se o ontem não existisse?) e eu não sou o tio Marcos.

O menino respondia com uns gemidinhos que eu pude perceber como algo querendo dizer “você é quem sabe..”

Mas não contente com essa conversa de opressão ao menininho, ela veio com mais perguntas…

-Cadê sua mãe?

-Tá trabalhando.

-E o seu pai?

-Morreu.

-Morreu é?

-Aham.

-Morreu de que?

-Facada.

-Ele morreu de facada? – risos estranhos – Como foi isso?

-Meu pai tava em casa e veio um ladrão que esfaqueou meu pai.

Não me lembro direito o resto da conversa,mas eu sei que eles saíram antes de mim, eu fiquei com uma dor no peito pelo garotinho ter de viver aquela realidade.

Não sei se o menino falou a verdade, mas me pareceu que na cabeça dele, era a mais pura verdade.

Ah, mais uma coisa, a mulher referia-se ao menino por “menino” ou “moleque”, a única vez que a ouvi dizer o nome dele, foi quando chamou-o para ir até a porta:

-Vem Vinícius.

Beijos queridos leitores ;*